Cerejeiras em flor no Parque das Cerejeiras do Lago Leste, Wuhan, China
© Zhang Qiao/VCG/Getty Image
Pontes de pétalas
Visto do alto, o Parque das Cerejeiras do Lago Leste, em Wuhan, China, parece uma nuvem lilás que decidiu pousar. Milhares de copas rosadas florescem ao mesmo tempo, envolvendo o pagode dourado de cinco andares no centro do parque — a torre tradicional que vemos na imagem. O parque abriga mais de 10 mil cerejeiras, de mais de 30 variedades. Muitas chegaram no século XX, em intercâmbios entre China e Japão — pontes culturais erguidas em meio a capítulos de tensão. Na temporada das pétalas, esse passado complexo vira paisagem compartilhada: breve, intensa, impossível de ignorar.
No Brasil, essa cena também tem endereço e calendário. Em São Paulo, no Parque do Carmo, mais de 4 mil cerejeiras tingem o inverno de rosa e branco entre julho e agosto. Plantadas a partir dos anos 1970 pela comunidade japonesa, elas viraram símbolo da imigração. Por algumas semanas, o frio paulistano ganha pétalas no ar e prova que laços culturais também podem florescer, mesmo que só por um instante.
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