Caverna de gelo na geleira Mendenhall, Alasca, Estados Unidos
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Quando o gelo fala
Ao entrarmos em uma das raras cavernas da geleira Mendenhall, no Alasca, Estados Unidos, o mundo fica silencioso, iluminado por uma luz que atravessa camadas antigas de neve compactada. Cada túnel funciona como uma câmara natural de filtros; quanto mais denso o gelo, mais ele absorve outras cores e intensifica as tonalidades de azul, do celeste suave ao safira hipnótico.
A geleira se estende por quase 22 quilômetros. Sua água derrete, escorre e escava cavernas que surgem e desaparecem ao ritmo dos movimentos glaciais. Mas a beleza traz alerta, e o recuo acelerado da Mendenhall no último século é um registro vivo das mudanças climáticas. Sintomas semelhantes aparecem pelo planeta — corais branqueados no Pacífico, rios secando na África e, no Brasil, áreas alagáveis encolhendo no Pantanal.
Observar a Mendenhall é perceber a força do gelo, a fragilidade da Terra e a urgência de atenção. O mundo muda diante de nossos olhos, numa história que aqui é narrada em tons de azul.
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