Salinas da Bacia de Badwater, Parque Nacional do Vale da Morte, Califórnia, EUA
© Jim Patterson/TANDEM Stills + Motio
Um deserto vestido de branco
O próprio nome avisa: o Parque Nacional do Vale da Morte, nos Estados Unidos, atualiza as definições de paisagem extrema. São quase 14 mil km² de deserto entre os estados de Califórnia e Nevada, reunindo dunas móveis, salinas brilhantes e campos vulcânicos sombrios. Nada ali é sutil: do alto de picos com mais de 3 mil metros, o terreno despenca até a Bacia de Badwater, mostrada na imagem, o ponto mais baixo da América do Norte, 86 metros abaixo do nível do mar. O sal forma um mosaico hipnótico de rachaduras geométricas, esculpido pelo calor intenso — que ultrapassa 50 graus no verão — e pela evaporação constante.
Apesar da aridez quase absoluta, a vida encontra brechas improváveis. Bactérias resistentes ao calor se multiplicam nas salinas, escorregadios escorpiões se escondem sob pedras e lagartixas adaptadas correm entre dunas quentes. Árvores de Joshua e arbustos secos sobrevivem onde nada parece florescer. E, quando tempestades raras atingem a região, ocorre o inesperado: a superfloração transforma o solo árido em um tapete efêmero de cores vibrantes — um espetáculo tão breve quanto as explosões de flores da Caatinga brasileira após chuvas esparsas no sertão.
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