Tetrazes‑lira machos em competição de lek, Estônia
© Sven Zacek/Nature Picture Librar
Rivais à vista
O dia mal começa e os tetraz-lira já estão em pé de guerra… e de dança. É época de lekking, quando os machos se reúnem em arenas fixas, os leks, para disputar a atenção das fêmeas. Caudas abertas em forma de lira, peito inflado, passos curtos, giros bruscos e um som grave que borbulha no ar compõem a coreografia. O centro da arena fica com os veteranos mais confiantes; nas bordas, rivais menos prestigiados tentam espaço. As fêmeas circulam como juradas exigentes, avaliando postura, ritmo e presença.
O tetraz-lira é típico de paisagens abertas da Europa e da Ásia. A foto de hoje, registrada na Estônia, captura um ritual antigo, repetido há séculos com poucas mudanças. No Brasil, espécies como o tangará também apostam no lek: ao amanhecer, machos executam saltos e voos curtos em sequência, quase um sapateado aéreo. A natureza troca o cenário, mas preserva o roteiro. Na seleção natural das aves, não vence o mais forte — vence quem dança melhor.
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