Porto e barcos de cauda longa em Ko Samui, Tailândia
© Foto2rich/Shutterstoc
Legados flutuantes
À distância, eles parecem simples — até o motor rugir. Na imagem, os barcos de cauda longa de Ko Samui, na Tailândia, escondem um truque genial. No início do século XX, pescadores passaram a acoplar motores de caminhão a cascos estreitos de madeira, criando embarcações leves e perfeitas para serpentear por águas rasas e recifes. Cada barco nasce do gesto paciente de artesãos, montado tábua por tábua, pintado em cores elétricas e adornado com flores e tecidos na proa, onde bênçãos budistas pedem uma passagem segura.
Essa inventividade tem parentes espalhados pelo planeta. No Senegal, pirogues pintadas à mão avançam por manguezais com motores de popa adaptados. No lago Titicaca, entre Peru e Bolívia, barcos de junco milenares ganharam propulsores discretos para deslizar entre ilhas flutuantes. No Brasil, voadeiras fluviais da região amazônica seguem o mesmo princípio: casco leve adaptado, motor de popa e um santo protetor guiando o caminho.
Mudam as águas, as crenças, o desenho da proa. O gesto, porém, permanece: fazer das embarcações um espelho fiel da cultura que as construiu.
Parque Nacional de Kornati, na Croácia
Ilhas Banyak, Sumatra, Indonésia
Praia de Kalalau na Costa Nā Pali, Kauai, Havaí, EUA
Salto Três Mosqueteiros nas Cataratas do Iguaçu, Argentina
Lago Sørvágsvatn, ilha de Vágar, Ilhas Faroe, Dinamarca
Ilhéu de Vila Franca, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal
Águas serenas da Boundary Waters Canoe Area Wilderness, Minnesota, EUA
Vista de Baía dos Porcos em Fernando de Noronha