Escola de samba São Clemente no Sambódromo do Rio de Janeiro, 2016
© YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Image
A alegria que não cabe nas ruas
O que faz um país suspender a rotina para cantar a mesma história em melodias diferentes? É o Carnaval, que já irrompe em cada esquina do Brasil. Nascido do entrudo português, atravessado por ritmos africanos e reinventado em bairros e terreiros, ele leva dezenas de milhões às ruas anualmente.
No Rio de Janeiro, o desfile das escolas de samba ganha proporções épicas, com carros alegóricos do tamanho de prédios e sambas‑enredo que condensam memória, crítica e imaginação. São mais de cem mil dançarinos, compositores, costureiras, coreógrafos e músicos. Por trás do brilho, há ensaios madrugada adentro, toneladas de materiais reaproveitados e temas que passaram por inúmeras versões antes de ganharem vida na Sapucaí. A imagem do dia, com a São Clemente cruzando o Sambódromo, captura o instante hipnótico em que um ano intenso de criação se transforma em pouco mais de uma hora de espetáculo.
Fora da avenida, ruas viram palcos, cidades se vestem de cor e blocos arrastam multidões com energia contagiante. Por alguns dias, ainda que os ritmos mudem de sotaque a cada esquina — do frevo ao maracatu, do trio elétrico ao cortejo —, o Brasil inteiro pulsa sob a mesma batida.
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